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quarta-feira, 8 de março de 2017

Matemática e mulheres, uma mistura genial



Mulheres na ciência: por que há menos alunas em ciência e engenharia?



 Mesmo em instituições renomadas, o número de mulheres na ciência ainda é menor que o de homens. Universidades como Yale e Brown tentam solucionar o problema.
Por Priscila Bellini

Albert Einstein, Charles Darwin, Isaac Newton, Nikola Tesla. Quando se pensa em uma lista de figuras mais famosas da ciência, uma sequência de nomes vêm à mente. De início, um caminho fácil para identificar essas pessoas de destaque é lembrar das aulas de Física, Química e Biologia: quais deles apareciam nos livros didáticos, quais foram homenageados em unidades de medida (como Faraday, herdado do físico e químico inglês Michael Faraday). Em sua maioria, são nomes masculinos. 

O tamanho do problema tem a ver com um contexto histórico que impediu mulheres de estudar, de ocupar postos na academia e mesmo que eclipsou o nome dessas mulheres na hora de divulgar grandes feitos. Até que houvesse uma Marie Curie, laureada com o prêmio Nobel e reconhecida mundialmente, muitas mulheres ficaram para trás. Não é à toa que, ainda hoje, a representatividade feminina esteja em desvantagem.

Como a estudante de Neurociência da Brown University Beatriz Arruda aponta, essa falta de figuras femininas vira um obstáculo presente até hoje. “É um ciclo vicioso. O fato de haver menos mulheres na ciência, no passado, também faz com que haja menos mulheres na ciência atualmente”, diz ela. A ausência de modelos colabora para a ideia de que há atividades “de homens” e “de mulheres” e desestimula meninas na hora de se interessar por essas áreas. Em média, apenas 5% das garotas cogitam uma carreira em áreas como engenharia e computação. O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) já mostrou que, desde muito cedo, as meninas duvidam da própria capacidade em campos como a Matemática.

A gente começa a se perguntar se aquele é o nosso lugar, se sente um pouco deslocada
Os obstáculos não cessam quando a ala feminina chega à universidade e vai para cursos que se encaixam na sigla STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, na versão em inglês). Mesmo em instituições conceituadas, como as da Ivy League. “A gente ouve coisas do tipo ‘essa aula vai ser muito difícil pra você’”, conta a estudante de Física da Universidade Yale, Bárbara Cruvinel. “Quando você não associa a imagem de uma mulher a um laboratório, por exemplo, porque não vê tais pessoas nesses lugares, cria um preconceito inconsciente contra elas”, explica Bárbara. Ainda que de modo involuntário, professores e alunos acostumam-se com a ideia de que mulheres são menos capazes de estar naquele lugar.

Outro ponto que chama a atenção de muitas alunas em cursos de ciências biológicas e exatas vem da separação de tarefas. “Se você faz uma matéria em ciência da computação, os professores vão querer que as mulheres cuidem do design e vão deixar a programação para os homens”, exemplifica Bárbara, que faz parte do grupo Women in Physics e integrou o time da American Physical Society Conference for Undergraduate Women in Physics, em 2015. Esse cenário fortalece a ideia de que carreiras em ciência não são “lugar de mulher”. “A gente começa a se perguntar se aquele é o nosso lugar, se sente um pouco deslocada”, comenta Beatriz Arruda. 

Solucionando o problema
Apesar dos obstáculos, ganham força dentro das universidades as iniciativas voltadas à inclusão de mulheres e de grupos minoritários. Tanto as instituições de ensino quanto as próprias alunas organizam tais ações, a exemplo de programas de mentoria. 

Para Beatriz, “as mulheres na ciência têm o dever de apoiar e mentorar as mais novas”. Na Brown, ela ajuda na recepção e adaptação de estudantes internacionais – entre eles, as mulheres, que podem se engajar em diversas iniciativas. O WiSE (Women in Science and Engineering), uma das opções para as alunas em Brown, organiza debates com cientistas de renome, conversas com professoras dos departamentos e orientação individual para as alunas. 

Como destaca Bárbara, de Yale, trazer mais mulheres para a ciência não apenas beneficia as alunas, como também os próprios campos de conhecimento. “Se, por motivos sociais, você exclui essas pessoas, perde 50% dos cérebros que teria para trabalhar naquele campo”.