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sábado, 12 de agosto de 2017

Por mais respeito aos índios brasileiros

"Vivemos batalha final da legitimação das terras indígenas no Brasil", diz antropólogo
Publicado em 12-08-2017 Modificado em 12-08-2017 em 15:49 






 O sociólogo e antropólogo Henyo Trindade Barretto FilhoArquivo Pessoal

  “Estamos vivendo o que poderíamos chamar de batalha final da destinação das terras públicas no país. Temos uma perspectiva muito sombria em relação à preservação e proteção das tradições culturais dos indígenas e dos quilombolas, grupos formadores da nossa nacionalidade, e à fragilização das medidas de proteção à biodiversidade”, alerta o sociólogo e antropólogo Henyo Trindade Barretto Filho, da Comissão de Assuntos Indígenas da ABA (Associação Brasileira de Antropologia), no Dia Internacional dos Povos Indígenas, nesta quarta-feira (9)


Em entrevista à RFI Brasil, ele disse que “essas comunidades vivem sob uma grande ameaça de perda dos direitos conquistados na Constituição de 1988”.

“Basicamente setores econômicos interessados em suas terras têm apresentado um conjunto de medidas legislativas no Congresso Nacional, visando alterar substantivamente o nosso marco regulatório. Isso ocorre também da parte do Poder Executivo, por meio de uma série de medidas que cerceiam e restringem a participação dos povos indígenas por meio de suas associações nos assuntos que lhe dizem respeito. E também por meio do sucateamento da Funai (Fundação Nacional do Índio), com corte de recursos nas atividades”, denuncia.

Barretto Filho, que também é professor de antropologia na UnB (Universidade de Brasília), lembra que “é possível que, na próxima semana, em função de um conjunto de ações diretas de inconstitucionalidade ou civis, o Judiciário possa colocar uma pá de cal sobre isso”.

“Isso pode ocorrer caso seja aprovada a tese do marco temporal, que estabelece que teriam direito à terra apenas os índios que nela já estivessem vivendo no dia 5 de outubro de 1988, quando foi promulgada a Constituição”.

Dia instituído pela ONU
O Dia Internacional dos Povos Indígenas foi instituído pela ONU para marcar o aniversário de 10 anos da Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, um documento aprovado em 2007, estabelecendo critérios mínimos para sobrevivência, o bem-estar e as garantias dos direitos dessa população, estimada em 370 milhões de pessoas ao redor de 90 países.

O antropólogo diz que a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas (Conac) estão se mobilizando. “Essas duas entidades têm promovido uma série de atividades e ações no âmbito de universidades no próprio Congresso Nacional.”

Nas próximas terça e quarta feira haverá uma vigília em frente ao STF (Supremo Tribunal Federal), “para a qual todos os que defendem os direitos indígenas e quilombolas estão convidados”. “O motivo é a apresentação da ação direta de inconstitucionalidade contra o decreto que regulamenta o procedimento de regularização fundiária dos territórios quilombolas.”

Para ele, a chamada bancada ruralista do Congresso “se fortaleceu bastante por ocasião da promulgação do chamado Novo Código Florestal há alguns anos. “Ao flexibilizar substantivamente as regras sobre o desmatamento porteira adentro, os parlamentares da frente querem flexibilizar a apropriação de terras porteira afora. É uma agenda instrumental para esse setor. Há vários documentos públicos nesse sentido, na perspectiva de promover sua expansão nas ultimas terras públicas existentes no país. “

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Mulheres brilhantes, a chance!



Universidade britânica oferece bolsas para “mulheres do futuro”
Por Nathalia Bustamante
09.05.2017






A Universidade de Essex, no Reino Unido, oferece a bolsa “Mulheres do Futuro” (“Women of the Future”), com o propósito de apoiar mulheres brilhantes do mundo todo a realizarem cursos de pós-graduação no Reino Unido. São oferecidas 30 bolsas de estudos para mestrados na instituição, com início em setembro de 2017. As inscrições vão até 31/05!

São elegíveis mulheres interessadas em programas de mestrado em tempo integral em qualquer área de estudos. Programas de certificados e doutorado não são elegíveis. Confira aqui a lista completa de cursos oferecidos.

Entre os pré-requisitos, estão ser aceita para o programa de estudos escolhidos, e não receber nenhum outro tipo de bolsa, integral ou parcial.

Sobre a Bolsa “Mulheres do Futuro”
O valor da bolsa é de 20 mil libras esterlinas, e pode ser usada para pagar a anuidade do programa (que varia entre 14 e 18 mil libras) e o restante para manutenção no país.
No total, são 30 bolsas para mulheres do mundo todo – sendo que seis delas, apoiadas pelo Santander Universidades, serão exclusivas para candidatos de alguns países, incluindo Brasil.

As candidaturas devem ser enviadas online até o dia 31 de maio. Os interessados também devem se candidatar ao curso escolhido através de um formulário online. Os resultados serão divulgados em meados de julho.

Confira aqui o edital completo e faça sua inscrição!

Sobre a Universidade de Essex
A Universidade de Essex foi fundada em 1964 e está localizada na cidade de Colchester, Inglaterra. Atualmente, mais de 13 mil estudantes estão matriculados na instituição, incluindo 3 mil pós-graduandos. A universidade está entre as 2% melhores do mundo, de acordo com o Ranking QS, e está entre as 150 melhores do mundo em artes, humanidades e ciências sociais.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Tamanho do mundo

Relato da experiência com este MBA diferente, que passa por três países, e revela suas impressões do primeiro destino: Porto.



Por Monyse C. Almeida, portal Estudarfora

Parece que toda noite mais de 200 milhões de pessoas sonham em português. Um português não igual. Com palavras, sotaques, cadências e em fusos diferentes. Essa nossa língua que namorou o chão. Namorou na poeira do Brasil, da Angola, de Moçambique, do Timor, de Macau.

Quer dizer, sujou-se no sentido que Manoel de Barros dá. Sujou-se no sentido que é capaz de se entranhar e casar com o chão. Com o nosso chão. Com dinâmicas, culturas e maneiras diferentes de ser e de se estar na vida. Na vida e num chão que transita 200 milhões de pessoas.

Há uma certa poesia nisso tudo. E verdade seja dita, quanto ao nosso português definitivamente nós não economizamos em poetas. Em grandes poetas (este tema vale uma próxima coluna).

E historicamente, nós não economizamos em desbravadores. Líderes e suas equipes em naus e caravelas que se lançaram em condições adversas “em mares nunca dantes navegados”. Há uma certa “gestão estratégica/cultura organizacional/orientação para os resultados ao seu modo-século XVI”, nisso tudo.

MBA Atlântico: Um Porto de Partida
Estou em Portugal, aquele que se agigantou no além-mar em uns pares de séculos atrás. Estou na cidade do Porto. Aqui inicio a minha primeira temporada, de janeiro a abril. De maio a julho sigo para Luanda, na Angola. E meus últimos meses de 2017 se encerram na cidade do Rio de Janeiro.

Justificativa para essas três temporadas e em três continentes distintos? Sim, tenho. E se chama MBA ATLÂNTICO, já na sua 7º edição que se consagra como uma rota da lusofonia dos negócios.

A missão do MBA ATLÂNTICO é formar gestores de quadros vocacionados para a internacionalização através do espaço da língua portuguesa. Este MBA liga três continentes (África, América Latina e Europa), em formato full time que passa um trimestre em cada geografia, no Porto, em Luanda e no Rio de Janeiro. 

Um MBA – além da proposta formativa e aquele script de disciplinas (finanças, estratégia empresarial, direito, contabilidade), um MBA – é um treinamento em liderança.

Este treinamento não acontece somente em uma sala de aula (com mesas em disposição semelhante à Assembleia Geral da ONU com o nome em uma plaquinha à frente) nem acontece em uma cadeira (como as disciplinas são chamadas aqui) chamada Liderança.

O programa nos prepara para sermos líderes de maneiras tangenciais, transversais e com os códigos, comandos de três continentes e com acesso a 200 milhões de lusofalantes

O programa nos prepara para sermos líderes de maneiras tangenciais, transversais e com os códigos, comandos de três continentes e com acesso a 200 milhões de lusofalantes – um treinamento paralelo, que acontece e se fortalece 24 horas por dia, do pequeno almoço (café da manhã) aos momentos de descontração regados a vinho do Porto.

Somos 25.  Somos brasileiros, angolanos, cabo verdeanos e portugueses. Estamos morando no mesmo lugar, em quartos vizinhos, dividimos a sala de aula, o ônibus e os dias. Temos idades, experiências e interesses tão distintos. No começo parece assustador, nem parece que estamos falando a mesma língua. É, no início estranha-se, mas depois entranha-se, já diria Fernando Pessoa.

As tão faladas soft skills, tão necessárias para o nosso tempo, são fortalecidas exponencialmente aqui. O Oceano Atlântico nunca se encurtou tanto. Que fluidez em transitar no além-mar e além fronteiras.

Para acompanhar um pouco da minha saga lusófona, publico diariamente registros no instagram: @fuso.luso. Pretendo aparecer aqui por essa coluna mais do que me programei (se a carga de leitura, os trabalhos interdisciplinares e os vinhos do Porto assim me permitirem) e me esforçarei para compartilhar o que tem de mais rico nessa oportunidade incrível que estou tendo a oportunidade de viver.

Ah, esqueci de dizer, sou bolsista integral e, feliz notícia, não sou a única. Grana? Aqui não é empecilho.
Hoje passados algum tempo que estou aqui no Porto, posso dizer que já sou mais angolana e portuguesa agora. E amo ainda mais a minha língua.

Sobre Monyse
 Permita-me apresentar com a (tentativa de) polidez com que os portugueses assim o fazem. Sou Monyse Almeida, advogada de formação, escritora de coração e empreendedora por uma não só razão. Bolsista do programa MBA ATLÂNTICO.  Para acompanhar um pouco da sua saga lusófona, confira registros diários no instagram: @fuso.luso.